domingo, setembro 11, 2005

Meu País: Brasil - Brazil


Título: Brasil 500 Anos
Ano: 2000

Técnica, materiais e execução:


Trabalho em 3D, realizado por meus alunos em paralelo com outras atividades - quais sejam, além das artes plásticas: na música, na dança e no teatro -, todas em minhas aulas de Arte-Educação e pertinentes ao tema: os 500 Anos de Brasil - e que envolvia toda a escola como matéria de reflexão a ser enfatizada naquele ano.

Idealizado para ser exposto suspenso no ar - pendurado por um fio de nylon -; executado com reciclagem de materiais, valendo-se de caixas de papelão, foram feitos dois mapas do Brasil - medindo, cada um, 1mx1m (mais ou menos) -, que se cruzam - por encaixe de recortes - formando 4 cantos internos, onde, em cada um deles, foram colocadas máscaras de papel marchê, representativas da nossa multiplicidade racial - o negro, o branco, o amarelo, o mulato -. Nele, o índio é representado pela cabeça que fica suspensa, abaixo de tudo (ou fora de tudo...) e circundada por penas. Esta cabeça é formada: de um lado (o que aparece na foto acima) pela máscara de uma caveira e, do outro, num segundo rosto da mesma, pela face de um índio Botocudo¹ .

Todo o trabalho foi pintado com tinta guache e teve acabamento em cola plástica - o mapa, em respingos, nas cores do Brasil (verde, amarelo, branco, azul anil...); para as máscaras foram feitos estudos de misturas de cores até se obter as tonalidades desejadas - .

- Uma observação sobre a máscara da caveira, é que ela foi uma das primeiras a ser feita, mas acabou fazendo tanto sucesso que serviu de motivação para uma performance, onde eles usaram uma para cada um dos participantes, que seriam, em princípio, em torno de cinco alunos, mas, a cada nova máscara de caveira concluída, mais um participante aderia ao grupo, no final, já estavam em torno de dez pessoas fixas. Isso ocasionou que não houvesse mais tempo para se fazer todo o processo de execução da máscara para se colocar na escultura, que logo seria exposta, optando-se então por uma
das 4, de plástico, e que serviam de molde para as outras. -

Falar desse trabalho, da foto acima, sem falar em tudo o mais que aconteceu nesse momento na escola, seria uma grande injustiça.

Eu trabalho à noite, numa escola pública municipal, de turno Vespertino, que atende jovens e adultos que já passaram da idade de freqüentar escolas diurnas. Eles podem ter de 14 anos 'ad infinitum', como eu costumo dizer a quem me pergunta. Muitos estão fora da escola há muito tempo quando chegam até nós, e em sua maioria eles advêm de um baixo ou baixíssimo poder aquisitivo. Alguns, mesmo bem jovens, já são pais e mães de família e, responsáveis pelo sustento desta, precisam trabalhar. Mesmo assim, eles encontram tempo para voltar aos estudos, e sonhar, e brincar, e fazer "bagunça"...

Penso que a Arte sempre foi subversiva, desde as cavernas - do contrário, porque esconderiam os trabalhos ali? -. Talvez por causa disso, desse fator transgressor de normas e regras, que se diga que a criança esteja "fazendo arte" quando faz "bagunça", ou seja, quando ela desobedece o sistema de regras dos adultos, assim como a Arte se permite a não obedecer a nada, a não ser a sua vontade de expressar-se e aos limites disciplinares dela mesma para atingir seus objetivos.
E creio que por tudo isso também, por causa dessas associações de idéias de uma coisa com a outra, que fazer "Arte" na escola se torne tão atrativo pra todo mundo - afinal, pensam, lá pode! (nas aulas de artes, fazer bagunça...) -, da mesma forma que - por estes mesmos motivos, da associação da palavra "arteiro", neste sentido de "bagunceiro", com a Arte - esta disciplina seja tão desconsiderada por tanta gente, ou, quando muito, consideram que é um bom momento para 'relax'... Em 2000, apesar de todos os esforços dos Arte-Educadores para se mudar este tipo de idéia, isso ainda era bem forte, havendo até algum tipo de discriminação velada pelos próprios colegas de outras áreas.

Eu devia ter umas cinco turmas nesta época. Se no início do ano se costuma ter uns 40 alunos em cada uma, esse número logo decai, chegando, em média, no meio do ano, a uns 20 que realmente freqüentam, pois tudo é mais difícil pra eles. Muitos dos que vão, costumam ir só por ir, ou pra jantar, pra namorar, pra qualquer coisa, menos se envolver realmente nas atividades. O que requer muito jogo de cintura por parte do professor que queira realmente fazer algo produtivo ali, onde motivá-los para os estudos é uma preocupação freqüente.

Com esta meta de motivação em vista, propus o tema e deixei todo o resto livre, inclusive as áreas dentro das Artes a serem abordadas, apesar de minha habilitação ser apenas nas Artes Plásticas.

Desde que estou na escola, 1996, nunca teve nenhum outro professor de Artes do Vespertino que não fosse das Plásticas, sendo sempre dois para atender toda a demanda deste turno nesta área. Sei que os alunos gostariam de ter acesso às outras Artes, e não só as plásticas, na escola à noite, mas tudo ali é difícil, até quem queira se submeter a este turno e a esta clientela.

Assim, à cada turma que se propunha o tema, se deixava claro que cada aluno podia escolher em quê gostaria de trabalhá-lo, sendo sugerido que trabalhassem em grupos, porque dificilmente se poderia levar todos os trabalhos, de todos os alunos, se fossem individuais, para as exposições dos mesmos.


Eu não lembro mais qual de minhas turmas foi a primeira a se posicionar sobre o que gostariam de trabalhar, só sei que quando eu vi, eles estavam se mobilizando para dança, música, teatro e artes plásticas, formando 4 grupos de interesses por turma. Cada grupo ia falando de suas idéias pra outro, de outras turmas, e começavam a novas formações, até que eu não tinha mais turmas distintas, mas sim, tinha quatro grupos de trabalho, cada grupo composto de alunos de minhas turmas, não importando quais fossem elas, eles se misturavam entre si por interesses a serem trabalhados. A tal ponto que para se poder ensaiar não seria mais possível numa única sala de aula, a sala-de-artes, e ainda quatro interesses diferentes.


Quando tudo começou a tomar estes rumos eu me assustei, pensei que não conseguiria dar conta. Primeiro, por causa do espaço físico, segundo
porque eu não me sentia preparada para ministrar Música e Dança. Minha formação é nas Artes Plásticas e com algumas incursões no Teatro, áreas que me sentia mais confortável.

Mas tudo foi tomando um rumo tão impressionante, com resultados fantásticos!

Havia uma sala vaga, em meu turno, no corredor que dá acesso à minha. Solicitei-a à direção da escola, que , sem problemas, nos permitiu o uso. O problema seria, pensei, administrar todo o resto para que não causasse problemas de disciplina na escola, visto que aos olhos de quem estava de fora dessa agitação toda, tudo parecia uma grande "bagunça", pois os alunos precisavam sair de uma aula em que estavam pra ensaiarem com os outros de outras turmas, em outro pavilhão, no nosso, onde se encontra a sala de artes.

Na sala de artes oficial ficavam os grupos de música e artes plásticas; teatro e dança foram pra sala extra.

Os que escolheram a Música como atividade foram trazendo instrumentos: cavaquinho, violão, reco-reco -; confeccionaram outros - como chocalhos, por exemplo - e improvisavam com o que mais se pudesse obter sons, até o latão do lixo virou tambor; eu levei alguma coisa que tinha em casa, como um bongô e uma cacheta. E o mais incrível: eles trouxeram os músicos de suas bandas de pagode para ensaiar com eles e poder ensinar aos colegas aquilo que me faltava, conhecimento em música!

Não bastasse isso para me emocionar, com a capacidade deles de organização, uma de minhas alunas, a Luciana, mentora do grupo de dança, conseguiu que um coreógrafo amigo dela viesse dar algumas dicas para que ela pudesse se encarregar de seu grupo, orientando-os nesta parte, o que me liberava pra poder transitar entre as duas salas e cuidar da disciplina e direção geral de toda esta multiplicidade criativa. Estes dois grupos, um de Teatro e outro de Dança, acabou virando um único grupo, numa
performance²:
"BRASIL, Mostra a Tua Cara"³

E estes foram alguns dos momentos mais lindos, mais emocionantes e mais gratificantes que eu já passei por minha vida profissional.

Ninguém mais conseguiu dar aulas sossegado em meu turno nestes períodos. Os alunos viam aquela agitação toda indo em direção ao "corredor das artes" e queriam ir pra lá também, acabou que gente de outras turmas, que nem eram minhas, começavam a participar das minhas aulas também. Ninguém faltava às aulas neste período, pois não queriam perder nada do que estava acontecendo lá. Alunos "problema" que costumavam não querer nada com nada, se envolviam de tal forma que meus colegas professores davam graças a Deus de eles saírem de suas aulas e virem pras minhas. A Direção da escola já não sabia mais quem era aluno da escola e quem era aluno de quem, só que procuravam pela Adelaide (risos...)! Nestas alturas, nem eu sabia mais nada, ia distribuindo-os por salas, conforme os interesses de cada um.

Pra algumas pessoas aquilo era o caos, pra mim, era só Arte-Educação! E eu vibrava com cada um deles, em cada etapa vencida e prazos que iam se esgotando sem que sequer se percebesse a passagem do tempo.

Todo o trabalho foi acompanhado de pesquisa em várias áreas - História, Geografia, Ciências, Artes, etc... -, envolvendo alunos e vários professores da escola - principalmente os que coincidiam no atendimento das mesmas minhas turmas -, numa inter e transdisciplinaridade.

A culminância destas atividades dariam-se em alguns eventos comemorativos - como a Semana da Pátria (de 1º à 07 de setembro), o Escola Faz Arte (normalmente em outubro) e o Aniversário da Escola (dia 09 de novembro).

O trabalho da foto, com o mapa do Brasil, ficou exposto pendurado no teto do ginásio de esportes da escola, no centro, durante o período das festividades do Aniversário da Escola , que contou com exposições e apresentações dos trabalhos dos "pagodeiros", como chamavam o grupo da Música do vespertino, mais a performance "BRASIL, Mostra a Tua Cara"³.

Obs.: Os créditos da foto, eu preciso averiguar quem a bateu... - acredito que uma das professoras de arte -.





Meu país...
Meu país é um lugar maravilhoso!!!
Feito de gente maravilhosa, que luta, que faz, que acontece!
Apesar de tudo...

Notas:
1 e 2 - As palavras grifadas e com um número (1 ou 2 ou 3) junto delas, são links. Links são atalhos para outras páginas e, nestes casos, normalmente são páginas que explicam melhor o que está sendo dito ali, como na palavra Botocudo¹, performance² e "BRASIL, Mostra a Tua Cara"³, que se você clicar sobre elas, vai se abrir uma nova página com o conteúdo referente. Sempre observe num texto se existem palavras com uma cor diferenciada - os links normalmente aparecem em azul antes de serem clicados -, ou sublinhadas, e passe o mouse sobre elas, se aparecer a mãozinha, é um link! Clique ali, e leia este conteúdo também.


quinta-feira, setembro 08, 2005

Como Tudo Começou... As TRAMAS DA REDE - Parte I -


Penso que tudo começou com este trabalho da foto:

"O Pensador do Séc. XX".

Que é uma escultura feita em sala de aula, em 1999, na técnica de papelagem - com jornal, caixa de remédio, recorte de revista e cola -, sob minha orientação, pela aluna Patricia Moura.

O tema de trabalho tinha sido sugerido pelos alunos: O Computador. Coisa que eles já vinham se interessando e começava-se a ter na escola. A técnica de execução e tudo mais era livre, eles podiam representar suas idéias sobre o tema da forma que quisessem.
Cada um foi escolhendo um caminho que, na sua maioria, ficou no 2D (bidimensional).

Patricia Moura não conseguia ter idéia nenhuma, ficava parada, pensando na vida. Então eu comecei a mostrar e comentar livros de Arte e revistas de informática pra ela. Até que nos deparamos com uma reprodução da obra de Auguste Rodin,
"O Pensador". Eu passei a explicar-lhe sobre o que se tratava e ela disse ter gostado desta obra, se identificado, e que queria fazer algo relacionado com ela. Depois de esboçar alguns desenhos, ela decidiu que queria fazer em 3D (tridimensional).

Não tínhamos muita disponibilidade de materiais, creio que só argila, papéis, tintas, cola e sucadas diversas. Como ela ainda não havia feito nada em papelagem, escolheu esta técnica.

Partimos então para uma releitura da obra de Rodin, onde, segundo ele mesmo, este homem representado em sua obra "não pensa apenas com seu cérebro, suas narinas dilatadas e seus lábios cerrados, mas com cada músculo de seus braços, de suas costas e de suas pernas, com seu punho crispado e seus dedos dos pés contraídos"
- http://www.pitoresco.com.br/espelho/destaques/rodin/rodin.htm -, enfim, com todo o seu ser. A obra é uma reflexão da maneira de pensar do homem do Séc. XIX, e foi feita no final deste século em sua primeira versão, que era bem pequena.

Nesta nossa releitura, como nos valeríamos de folhas de jornais - e mais um tema recorrente do século XX: os computadores -, decidimos que ela representaria melhor este modo de pensar midiático do homem deste séc. deixando os jornais à mostra, sem acabamento de nenhuma pintura, apenas com a cola, que é transparente. Para a cabeça deste homem, nada melhor do que um ícone com o qual mais nos deparamos para pensar desde seu surgimento: a tela do monitor!

Patricia conseguiu encontrar, numa revista de computação, a imagem ideal para fazer frente à esta "face", desta "nova cabeça", que pensava de modo bem diferente do século que o precedeu, através de uma imagem que brilha, como se "ligada" estivesse, contrastando com o resto todo da pequena escultura, toda cinza - como o mundo que nos circunda -.

Se na obra de Rodin era o bronze que ali brilhava, aqui é a imagem da própria comunicação que brilha.

Tal qual Rodin, em Patricia Moura, "O Pensador" traduz sua época. Os jornais que o compõem são o registro tácito deste tempo, cuja data vem estampada em suas manchetes: 1999.

A partir daí, desta esculturinha, feita em nossa sala de aula, que as tramas da rede foram tecendo-se em nossas cabeças. O brilho daquela imagem impregnou-se em nossas retinas. E nem mesmo o fato de que, depois deste trabalho ter sido exposto no Mercado Público de Porto Alegre, durante o Escola Faz Arte, em 1999, e esta obra ter voltado de lá sem a cabeça - que ficou perdida para sempre -, nem isso, nos conseguiu aplacar o desejo de ir além.

Por mais que nos faltem recursos, já somos agora os pensadores do século XXI, que pensam, fazem e acontecem, pelas Tramas da Rede!

O que veio a acontecer depois disso, deste trabalho, com o nosso pensar/fazer/pensar em Arte-Educação, eu vou ir contando por aqui, em cada vagão deste nosso trem, nos acompanhem!

Boa viagem!!

Adelaide Amorim
Arte-Educadora.

Notas:
01 - A única foto que temos, com o registro desta escultura do "Pensador do Século XX" completa, foi tirada pela prof. Ana Lúcia Pompermayer (com uma Pentax), durante a exposição do Escola Faz Arte, no Mercado Público de Porto Alegre/RS, em 1999.



Meus Alunos


Turma C26
2004
Turma que deu origem ao grupo de Aulas Virtuais em Arte-Educação,
No Yahoo Grupos:
MC26_LOUREIRO_2004
Grupo criado em:
24 de setembro de 2004.
.~. E que estará completando um aninho este mês!!! .~.
Nesta época, o Professor Orientador do Laboratório de Informática
da escola era o Prof.
Leonardo Rosa Martins.
Este ano, de 2005, com a ajuda da Professora Kátia Pontes,
seguimos nossas atividades,
com pouco, mas fazendo muito,
e
ampliando horizontes!!!
Agradeço a todos
por todas estas conquistas
que são de todos nós!!!
Beijos,
Hela.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Meus Trabalhos - Reflexão - Arte Digital


Título: Reflexão

Trabalho feito por mim, por edição de imagem em Photoshop, a partir de uma foto batida por meu filho de mim - com uma câmera digital Sony -.
Hoje, 07/setembro/2005.

terça-feira, setembro 06, 2005

Experimentando...

Estou aqui,
aprendendo também!!!
E experimentando
como é que se anda neste trem...
Vem, vem me ajudar,
pegue o trem comigo,
vamos viajar!

Bejokas,
Hela.