
Hoje, 23 de novembro de 2005, fui levar os meus alunos pra uma visitação à 5ª Bienal do Mercosul. Só era uma hora de tempo disponível pra nós no evento, pois mandaram um ônibus nos buscar e se tinha de cumprir o horário previsto, o que foi uma pena, porque dava vontade de se ficar bem mais tempo por lá, não só pelas obras maravilhosas e as performances que fazíamos para as fotos, onde se criava novas obras com elas, interagindo com as da exposição - e por onde os alunos extrapolavam em expressividade!!! -, mas também, pela belíssima paisagem do Cais do Porto e o mais maravilhoso ainda: pôr do sol!!!
Tudo era inspiração, prazer dos sentidos e imaginação!!!
Os alunos adoraram e pouco aprontaram desta vez, na verdade, nem aprontaram nada, os 'tadinhos', estavam uns verdadeiros anjos perto do que costumam ser nos passeios... rsrsrs...
Analisando a parte do que vimos, que foi a das pinturas, onde a questão da pintura em comparação com a fotografia, e os rumos que aquela tomaria por causa desta última, era a tônica dominante, pude observar uma coisa bem interessante:
- As pinturas que ali constavam, tinham uma coisa que era própria delas mesmas, nesta linguagem, da pintura em si, que a fotografia, pelo menos por hora, não pode apropriar-se:
- a questão das texturas, nas pinceladas carregadas de tinta, dos espatulados, grandes e pequenos, dos granulados com areia ou pedras moídas, das tessituras nas tramas das telas, em sutis interferências em planos enormes, como nas lonas de caminhões trabalhadas com esponjas de aço enferrujadas... e muito mais! (Como nas imitações de tramas de tecidos, pintadas em gotejados escorridos, que, pra mim, fala das mesmas coisas que os de tessituras reais!);
- os planos bidimensionais justapostos, que, de tão espessos, chegam a ser tridimensionais, formando composições espaciais que falavam de pinturas, com tintas e tudo mais que se possa fazer com pigmentos e aglutinantes, mas também se valiam de relevos, onde luzes, sombras, planos, cores e texturas, interagiam, formando novas formas, complementando-se na composição, muito além do que se possa fazer apenas com lápis ou pincéis!
Por tudo isso, penso que os artistas que lá estão, representados em suas obras, que falam por eles, conseguiram brilhantemente posicionar a pintura em seu devido lugar, onde a fotografia (ainda) não a pode atingir! Quem sabe novos desafios surgirão entre as duas linguagens, onde as imagens são a tônica, mas a técnica de cada uma é bem diferente, e não devem ser confundidas. Apesar de, às vezes, uma se adentrar no universo da outra, devem ser respeitadas pelo que são, com as técnicas que as compõe, e que se saiba as diferenciar e apreciar por isso mesmo: pelo que são! E a cada vez que estes desafios surjam, que se saiba lidar com eles tão bem como ali o foram.
Este tipo de questão já era algo que me instigava na época da faculdade, onde em meu projeto de graduação em Desenho faço uma abordagem sobre tudo isso, dentro desta questão do que é real e do que é virtual, pois vejo a fotografia dentro do mundo virtual, ainda mais agora, com as fotos digitais, e as pinturas, antes de serem fotografadas, dentro do que chamo de mundo real.
Mas, afinal, o que é real e o que é virtual?
Segue o baile!
Desfrutem das fotos, que seguem na próxima postagem, ou clicando aqui:
FOTOS BIENAL LOUREIRO VESPERTINO
Beijos,
Hela (Adelaide).

Nenhum comentário:
Postar um comentário